sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O tal do Big Brother

O tal programa já está na 9ª edição. E ainda tem quem chame de "reality show". Por que afinal aquilo ali é mais real do que uma novela qualquer ? ali tudo é tão dissimulado quantos os papéis que os atores decoram antes de atuar, meus caros. E não falo de tramas entre os "brothers" e a produção do programa não. Eu não vasculho muito sobre essas conspirações para saber se são verdade. Apesar de que vi outro dia um depoimento do tal Diego alemão dizendo que ali é tudo "combinado". E daí ? isso não é lá nenhuma novidade.

Ou tem mulher feia lá ? bahh, não me venham com um ou outro exemplo tosco. A maioria das "brothers" vão direto para a Play Boy. De fato algumas não são bonitas, mas o que a macharada quer é corpo bonito. Para a maioria dessas moças o premio de 1 milhão (ou já aumentou?) não é nada tão atrativo. Já vão faturar uma boa grana depois com os ensaios sensuais. Sobre os homens, bem, nem todos se dão bem. Alguns duram alguma coisa na mídia, como foi o "Bam bam", mas logo não conseguiu se sustentar por não ter talento pra nada (quem sabe parou em algum grupo de axé como dançarino). Mas a maioria logo cai num tipo de retorno ao anonimato.

Enfim, o foco mesmo do que eu escrevo não são os pobres infelizes que participam do BBB, que quase sempre conseguem apenas colocar a ponta do dedo na torta da fama, apenas para sentir o gostinho da doce ilusão que é ser famoso (ainda não vi nenhum dizendo que acha bom isso). Quero falar mesmo é sobre os muitos, digamos, "limitados" brasileiros que alimentam Ibope da Globo assistindo a essa perda total de tempo. Infelizmente falta aquele troco sádico que todo brasileiro deveria dar a um canal tão massificador como esse : simplesmente abandonar novelas, programa do Faustão e reality shows. Esse besteirol vem sempre importado dos EUA, quando já está batido por lá, e depois insiste na mente das pessoas (9ª edição!!!). E o pior : já está saturado. Eu confesso que assisti parcialmente a 1ª edição e menos ainda a segunda, ao ponto que parei de ver. Mas ainda não era tão besta como é hoje. As pessoas mal chegam na casa e já fazem os clãs, e tramam sobre não sei o que. O português e os gestos dos participantes me parecem meio artificiais, nos poucos flashs que me surpreendi vendo em horas nada oportunas, como no almoço. Tudo muito certinho, nos moldes da Globo e do Bial.

Sinceramente, aquele lixo não deveria ser patrocinado pela nação, que já é tão taxada de ignorante por aí. É perda de tempo meus caros ve dois fazem-nada sentados à beira de uma piscina desabafando sobre futilidades de um convívio nem um pouco mais interessante que a vida social de qualquer um de nós. Acordemos.

Poesia da Sociedade

Quem falou que entendo alguma coisa disso
quem disse que percebo, quem disse que explico
preciso de ar, um pouco de humidade,
as coisas estão secas, uma calamidade

To distante dos bons atos,pareço um fantoche,
sem brilho, sem contraste,
meu lábio eu aperto forte
pareço um pouco frio, não temo tanto a morte

A pureza nem sei o que é mais
um dia eu sabia, mas hoje não sou capaz
nem tenho o mesmo tato
o aspero ficou mole
a paz de mim foge


O amor ainda existe, sim eu acredito,
a paz entre homens, desta eu duvido,
o amor jaz nas sombras, nos olhos, nos suspiros,
ora aparece, ora dá um sumiço

Mas o motor prossegue,
rangindo feito velharia,
ele se chama humanidade,
empoeirado e suicida,
à beira do penhasco,
rodando com ironia
como se mal nenhum lhe fizesse
uma queda definitiva

Mas alguém ainda acredita,
até atingir conhecimento,
depois disso cria pernas,
e quase sempre perde o censo
cai na monotonia
ficando moderno e sem sentimento


E vamos todos seguindo esse pé
quase sempre surdos, mudos e sem fé
desacreditados e mecânicos
num mundo de desencantos
de riquezas e cotidianos
de ossos e caixões
de grandes e anões
de homens e marcianos


Fernando Augusto.